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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Fé, Ondas e Música.

Fé, é-me como ondas que vem e volta. É na espuma branca que por tuta e meia me encontro.

Amedrontado pelo vento que ostenta a sua força sem que fique com os pés sujeitos às areias que nele voam. É na salitre que na minha pele se concentra que eu encontro a segurança.

Vem a onda longe e a ânsia cresce, acompanhada de aritmética e conhecimento de horas a mirar o mar.

Passo após passo, saiem os pés que enterrados estavam e as mãos agarram a prancha como uma reliquía fosse. Entra a planta do pé na fina camada de água, gelada pelas intempéries que a assolam, e o pé levanta vôo como ave de rapina que do seu parapeito vê a presa.

Amareia a prancha na água, a cortá-la como faca quente na manteiga. É agora, a prancha mostra-se relutante perante o peso que se sujeita em busca de mares profundos enquanto o pé sentes os sulcos da cera perfumada e suja de dias à beira-mar.

Vai o vento e penteia a crista e a onda de cinzento remexido passa a verde crescente de madeixas brancas pintadas.

Como de encontro marcado, o primeiro toque é a mão acaraciando a onda, na leveza que a junção de dois atómos de hidrogénio e um de oxigénio na sua maneira única permitem sentir. Os olhos fixam o topo, na espuma voaçante, deslizando até à mistura de branco de pinceladas de verde e castanho pintadas.

E da interacção de um relaxamento e contracção de músculos com a prancha, nasce uma janela que rasga com as forças gravitacionais e os estilhaços desaparecem nos remexeres dos ventos.

Atinge-se os baixios e cabelos verdes translúcidos caiem deixando espaço para do vento me abrigar.

A carícia volta a acontecer numa partilha entre homem, água e prancha. As mãos por elas divagam. O céu desaparece num momento que parece levar horas a passar, onde a minha guia é um toque de calor que levou minutos a chegar a mim. E tão fugazmente como desapareceu, o céu aparece em todo o seu esplendor.

A prancha vacila e o meu abrigo, outrora de paredes de cristal, cede atrás de mim.

O branco deu passagem ao castanho e a mancha roxa que do castanho partiu, em verde rasgou,no branco vacilou e a casa regressou em desalento deixando-se deslizar.

O movimento, que fora fluídamente caracterizado por velocidades aleatórias onde paragens sucederam ascensões, cessa. O nariz enterra na areia e os pés sentem terra firme. O calor que servira de guia deixa-se levar pelo vento e os joelhos esvaiem-se das forças que a adrenalina lhes transmitira. O fato ganha pepitas no preto que ostentas e as mãos levam-se pelo tacto corante de frio e aspereza da areia.

O mar volta aos olhos que haviam virado costas e as pegadas vão desaparecendo com a histórias que contam nos últimos banhos de luz que horizonte vermelho atravessam.

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